Estou aqui com a tela do computador aberta para escrever essa resenha e lágrimas caem dos meus olhos desesperadamente. Mesmo cinco horas depois de finalizar a leitura, às 6h da manhã, cada cena do livro passa por minha cabeça e não consigo conter o coração apertado ao lembrar delas.

Eu posterguei muito, muito tempo para iniciar Proibido, da Tabitha Suzuma. Por ser um assunto tabu, que eu particularmente muitas vezes tachei de nojento, achei que não combinaria com meu estilo. Mas ontem… ontem quando vi um comentário sobre ele no Facebook a curiosidade bateu de novo. Não resisti.

Estou à beira do arrependimento total por ter lido ao agradecimento eterno à autora por ter tratado do assunto. Eu sinto que algo dentro de mim mudou com essa obra e nunca mais serei a mesma.

Vou admitir para vocês que, até pelo modo que fui criada, tenho uns pré-conceitos bem definidos em minha vida. Incesto, com certeza, era um deles. Como isso seria possível sem soar doentio? Thabita conseguiu abordar o assunto divinamente em Proibido. Conseguiu quebrar barreiras dentro de mim, me mostrar um outro ponto de vista, me fazer refletir.

Posso, mesmo, julgar tudo com meus padrões de certo e errado?

O que é certo e errado?

A capa do livro traz um questionamento muito interessante e que até agora estou pensando: Como o errado pode parecer tão certo?

Fecho os olhos porque simplesmente não posso pensar nisso agora. Não posso me permitir pensar no que significa. Não quero pensar no nome que dão a isso. Eu me recuso a permitir que um rótulo do mundo exterior estrague o dia mais feliz da minha vida.

Maya e Lochan não são adolescentes comuns. Com uma carga imensa nas costas depois do abandono do pai e decadência da mãe para o álcool, os dois passaram a ser os responsáveis pelo lar. Responsáveis por cuidar de três irmãos mais novos, lavar, passar, cozinhar, educá-los e ainda estudar. É um fardo muito grande para pessoas tão jovens.

Você vai lendo o livro e imergindo em um universo de angústia e dor dos personagens. Intercalando o ponto de vista dos dois em primeira pessoa, Proibido mostra as dificuldades enfrentadas por eles nessa difícil missão de ser tornar um adulto forçadamente. Eles só têm a eles mesmos.

Lochan teve que crescer tão rápido, como o irmão mais velho, que passou a ter uma fobia social desesperadora. Ele não consegue manter amizade com ninguém na escola, não consegue falar em público, não consegue nem conversar com uma garota. O único lugar que ele se sente bem é com Maya, em casa. Sua amiga desde sempre, sua companheira, sua irmã.

Maya, apesar da fachada de forte, tem um coração despedaçado pelo fardo tão grande que carrega. Ela tenta ser a pacificadora, mediando os intermináveis conflitos com uma irmã de 5 anos, um de 9 e um rebelde de 13. Lochan é a única parte do dia tranquila. O único porto-seguro.

Quando o sentimento deles começa a aflorar para além de fraternal você chega a pensar que é doentio continuar lendo. Eu tive vontade de parar. Quão louca sou por torcer por eles? Se alguém souber que estou lendo esse livro vai me julgar. O que vão pensar de mim? Todos esses questionamentos passaram pela minha cabeça na madrugada. Ignorei-os e continuei. Continuei para o meu próprio crescimento como pessoa. Sem julgamentos, Ariane. Prossegui.

Prossegui e a cada dúvida dos dois sobre o amor que aumentava entre eles me fazia retorcer na cama. Medo. Desespero. Eu concordei muitas vezes com eles que aquilo estava errado. Que eles precisavam parar.

Mas era tão genuíno. Tão terno. Tão certo.

Você pode pensar que eles só desenvolveram esse sentimento pela situação. Por serem forçados a viver dessa forma. Até certo ponto os próprios personagens discutiram isso. Seria diferente se tivessem em uma família normal? Chegaram a conclusão que não. O sentimento estava ali o tempo todo, desde crianças eram diferentes juntos, inseparáveis.

Nossa, eu passei tanta raiva. Passei raiva com a mãe inconsequente que deixou na mão de dois jovens a responsabilidade de cuidar de uma família. Fiquei com raiva pela rebeldia de Kit de não entender o fardo dos irmãos e deixar tudo mais difícil para eles.

Nossa, eu senti tanto amor. Um amor totalmente proibido e impossível. Em uma sociedade que jamais entenderia aquilo. Eles tinham muito a perder. Podiam ser presos. O serviço social seria acionado. A mãe sempre ausente seria descoberta. Os irmãos iriam para um abrigo. A família se quebraria.

Só que foi mais forte do que eles e aconteceu.

Aconteceu e o final não poderia ter me dilacerado tanto. Eu não quero falar nada para não dar spoiler mas… mas foi intenso. Foi duro. Foi de me fazer soluçar. Me faltou o ar pela dor de Lochan. Pela dor de Maya. Pela dor da família.

Termino essa leitura ainda quebrada. Como os personagens. Só com o ensinamento de que não posso ser leviana nos meus julgamentos. Não me entendam errado, eu não terminei esse livro achando que o incesto é algo aceitável. Na quase maioria absoluta das vezes eu ainda vejo isso como algo doentio, não natural, perturbador e completamente errado. Mas, o que esse livro me mostrou acima de tudo, é que nada é tão preto no branco como queremos acreditar. Ainda mais quando estamos falando sobre sentimentos.

Peço licença para hoje finalizar a resenha sem música, nem personagens. Eu, realmente, não estou no clima para separá-los. Só precisava, desesperadamente, escrever isso.

NOTA: 5