Considero ser uma boa história quando me envolvo totalmente com os personagens, dou risada, choro, tenho palpitação e não vejo a hora de colocar as mãos no livro novamente e devorá-lo até terminar. Posso dizer, com certeza, que After é uma boa história. 6 livros nas madrugadas de apenas uma semana comprovam isso. Estava em uma ressaca literária brava depois de Beleza Perdida, ignorando até as maravilhosas obras de Colleen Hoover que nunca decepcionam, quando decidi dar uma chance ao livro que nasceu de uma fanfic no Wattpad.

Admito que já tinha visto resenhas dele antes, mas deu preguiça de ler ao descobrir que era inspirada em One Direction. Imaginei ser adolescente demais e tive uma grata surpresa ao constatar que, definitivamente, não é. Para começar, eu não conheço nada dos integrantes da banda, mas a história não tem a ver com música. Narra nos mínimos detalhes um romance que poderia ter acontecido comigo e com você, nas voltas que a vida dá para que a gente possa encontrar um grande amor (bom, talvez com drama demais, mas a vida real).

Tessa é uma jovem de 18 anos, nerd e toda organizada, que vai para a faculdade depois de muita preparação e cara nos estudos. Apesar de namorar Noah há dois anos, eles nunca tiveram um relacionamento mais íntimo. Eram bem tranquilos e não viam problema em esperar até o casamento. Sua mãe é controladora ao extremo e gosta de manter as aparências, mesmo com uma vida amarga e sem dinheiro. Seu pai a abandonou ainda pequena.

“A única certeza que tenho é de que minha vida e meu coração nunca mais serão os mesmos depois de Hardin”. (Tessa)

Hardin é o bad boy tatuado e revoltado que não quer nada da vida além de beber e transar. Foi da Inglaterra para os EUA forçado pela mãe para tentar se aproximar do pai, que também o abandonou. Teve uma infância e adolescência difíceis e presenciou mais desgraça que uma criança pode suportar. Se fechou tanto e tem tanta raiva do mundo que não consegue se deixar envolver com ninguém, até Tessa entrar em sua vida.

“Você não faz o meu tipo assim como não faço o seu. Mas é por isso que fazemos tão bem um para o outro… somos ao mesmo tempo muito diferentes e muito parecidos. Uma vez você me disse que desperto o que existe de pior em você. Bom, você desperta o que existe de melhor em mim. Sei que você também sente isso, Tessa. E é verdade que eu não namoro, mas isso não vale para você. Você me faz querer namorar e querer ser uma pessoa melhor. Quero ser digno de você, que seu desejo por mim seja tão intenso como o meu por você.” (Hardin)

Tenho que dizer que amei mais essa coleção porque vi em Hardin uma mistura de vários personagens masculinos que adoro. Ele tem a carga da infância como o Cristian (50 tons de cinza), a possessividade de Travis (Belo desastre), a inteligência escondida de Elec (Meu querido meio-irmão) e a vontade de ser uma pessoa melhor para a amada igual a Ethan (Meu Romeu e Minha Julieta).

Eu terminei de ler os 6 livros imaginando como Anna Todd conseguiu escrever uma história clichê (bad boy revoltado x mocinha virgem) com tanta categoria. Parece obra demais para pouco protagonista mas, acredite, faz todo sentido no final essa extensão.

O primeiro e o segundo exemplares eu amei tanto que não conseguia imaginar o que mais podia vir. Tessa se entregou de corpo e alma para Hardin e o que ganhou em troca foi uma traição que eu, sinceramente, não sei se teria coragem de perdoar. Depois ele vai fazer de tudo para que ela o perdoe e veja como a ama, tentando ser uma pessoa melhor.

No terceiro e no quarto livros pensei onde Anna Todd queria chegar com aquilo, tantas idas e vindas, ficou até um pouco chato em certas partes, repetitivo demais. Teve reencontro com o pai de Tessa, mais uma facada no coração da mocinha pelos “amigos” de Hardin, mudança de cidade e teimosia de ambos.

Só no final do quarto e começo do quinto entendi claramente a sacada da autora. Ela quis nos mostrar como acontece na vida real, a verdade nua e crua dos relacionamentos. Ao contrário dos romances tradicionais, Anna nos apresentou uma história cheia de dramas, mentiras e lágrimas. Um amor que por si só não consegue ir para frente.

“Sabe qual é o seu problema, Theresa? Seu problema é que você lê romances demais e acaba esquecendo que é tudo um monte de baboseira. Não existe nenhum Darcy , nenhum Wickham, nenhum Alec d’U rberville, então vê se acorda e para de querer que eu vire uma porra de um mocinho saído de um livro, porque isso não vai acontecer, caralho!” (Hardin)

Em “After, depois da promessa”, você começa a ler com o coração em pedaços pelo Hardin. Coitado, ele tem dificuldade de mudar e superar o passado, mas convenhamos que o universo não conspira a seu favor. Ele vai sofrer a revelação mais forte de sua vida e todo o seu progresso para ser uma pessoa melhor cai por terra. Ele se entrega ao que acha ser seu carma e volta a afastar Tessa. Dessa vez, de um jeito muito baixo para que ela não consiga mais o perdoar.

Quem nunca passou por isso? Nem sempre só o amor basta. No dia a dia, por mais que a gente queira que dê certo, não depende só da vontade. Outro ponto forte da obra que vou levar no coração é sobre querer mudar o outro. Tessa quis desesperadamente tirar Hardin do fundo do poço. Ela o perdoou mais vezes que é possível se considerar tolerável, cagada atrás de cagada. Até que caiu em si que, para fazer dar certo, só um não basta. O outro é que precisa querer. Enquanto ele definitivamente não se aceitar e querer mudar, o ciclo vicioso continua.

“Eu me enganei muito em relação a Hardin, e isso serve para me mostrar que só as próprias pessoas podem mudar a si mesmas, por mais que tentemos. Elas precisam querer isso tanto quanto nós, ou não há esperanças. É impossível mudar as pessoas que estão convictas do que são. Todo nosso apoio não basta para compensar as baixas expectativas que têm de si mesmas. É uma luta perdida, e finalmente, depois de todo esse tempo, estou pronta para desistir”. (Tessa)

“Quando amamos alguém, não deixamos essa pessoa nos destruir, não permitimos que nos arrastem na lama. Tentamos ajudar, tentamos salvá-la, mas quando o amor se torna uma via de mão única, se continuarmos tentando, estamos fazendo papel de bobos.” (Tessa)

A culpa da relação problemática dos dois não é só do bad boy, porém. Tessa também tem sua parcela de culpa por voltar para ele sempre fácil demais por causa do forte sentimento. Hardin achou que podia fazer o que quisesse, e ela ia aceitar. Em várias partes do livro dá vontade de matar ele, se prepare. Somente quando ela se deu o valor, se colocou em primeiro lugar, é que o relacionamento fluiu.

Eu não podia ter achado mais genial o final da história. Estava com medo do desfecho, foram tantas páginas de amor e ódio que achei difícil manter a criatividade. Mas a Anna manteve. Houve muita maturidade no desenrolar da história e, mesmo que nós, leitores, pudéssemos até querer que o casal ficasse junto logo e terminasse o sofrimento, chegamos a conclusão que nada melhor que o tempo para curar as feridas.

Adorei a passagem por blocos de anos no final do quinto livro porque seria muito injusto a gente não ter o gostinho de como foi a vida deles no futuro, em cada fase. Só Before que achei meio desnecessário. É dividido em partes e conta histórias de pessoas envolvidas nos dramas, como Molly (essa eu gostei de saber para entender as atitudes de insuportável dela) e de Natalie (que fez parte da adolescência conturbada de Hardin). Também vamos contar aí com a perspectiva do Hardin no primeiro livro, mas pulou muita coisa e fiquei aborrecida. Como todos sabem, e já falei em quase todas as resenhas haha, amo quando temos a visão masculina na história. Nesta coleção, só não vamos contar com essa dádiva no primeiro volume, que é narrado somente pela Tessa.

“Seja qual for a matéria de que nossas almas são feitas, a minha e a dela são iguais”. (Hardin)

Antes de terminar, quero dizer também que os personagens secundários dão um ar todo especial para a coleção. Meus preferidos são o Landon (amigo fiel da Tessa e meio-irmão de Hardim) e o pequeno Smith (filho do chefe de Tessa). Mas também acho legal quando as obras remetem ao passado dos pais do bad boy na Inglaterra, mostrando que as feridas são mais profundas que imaginamos.

Ainda queria citar um último detalhe importante. Tanto Tessa como Hardin foram abandonados na infância por causa do álcool, mas tiveram desfechos totalmente diferentes. Tessa canalizou sua perda nos livros, Hardin na raiva. Guardei no coração que às vezes a vida não é justa com a gente, dá uma rasteira brava e parece tudo perdido, mas o nosso futuro depende apenas de como resolvemos encarar nossos problemas.

Por fim, é uma ótima pedida para quem gosta de se aprofundar nos personagens e em histórias mais reais.

A autora lançou ano passado a história de Landon no Wattpad =D (em inglês)

Nothing More
Nothing Less

Trilha sonora para embalar a leitura

Never Say Never (The Fray)

♫ We’re falling apart
And coming together again and again
We’re growing apart
But we pull it together
Pull it together, together again
Don’t let me go ♫

E se virasse filme

Pelo que pesquisei, a notícia boa é que After já está em processo de adaptação para o cinema. Temos o ator confirmado e a especulação no nome de quem interpretaria a Tessa.

NOTA: 5

* Notas de 1 a 5.