Sempre li resenhas positivas sobre esse livro de Amy Harmon, que estava na minha lista de desejos desde 2015. Procurando uma promoção no Google Play durante o final de semana, o encontrei por apenas R$ 5,75 e não perdi tempo em me envolver nessa história de vários tipos de amor e perdas: entre duas pessoas, entre amigos, entre familiares.

Fern é uma adolescente tímida e inteligente. Filha de pastor, ruiva, magricela, com cabelos enrolados, óculos e aparelho, se sente um patinho feio na escola. É apaixonada por Ambrose desde os 10 anos, mas nunca conquistou sua atenção da forma que desejava. Gosta de ler e escreve secretamente seus próprios romances. Bailey e Rita são seus melhores amigos.

Bailey também é primo da Fern, e merece um parágrafo da resenha só para ele. É apaixonado por luta, mas nunca pode praticar a atividade por causa de uma distrofia muscular.  Sua expectativa de vida é apenas até os 21 anos. Ele usa cadeira de rodas desde criança, mas não se faz de vítima do destino e aproveita todos os momentos da melhor forma que pode, é um exemplo! A ligação dos dois é linda, um amor que faz ambos se protegerem o tempo todo.

Ambrose mora com o padastro que ama como se fosse seu pai. Ele é o popular da escola e da pequena cidade que mora, por ser parte da equipe de luta e de futebol americano. Com seu 1,90m, cabelos longos, feições marcantes e porte musculoso, chama a atenção da maioria das garotas. Apesar de aparentar ser um bad boy, ajuda seu pai preparando massas na padaria, adora Shakespeare, é um ótimo cantor e amigo leal. Faz tudo com seus melhores amigos Grant, Jesse, Beans e Paulie.

A verdadeira beleza, aquela que não se desvanece ou se esvai, precisa de tempo, de pressão, precisa de uma resistência incrível. É o gotejamento lento que faz a estalactite, o tremor da terra que cria as montanhas, o constante bater das ondas que quebra as rochas e suaviza as arestas. E da violência, do furor, da ira dos ventos, do rugido das águas emerge algo melhor, algo que de outra forma nunca existiria. E assim suportamos. Temos fé na existência de um propósito. Temos esperanças em coisas que não podemos ver. Acreditamos que há lições na perda e no poder do amor, e que temos dentro de nós o potencial para uma beleza tão magnífica que o nosso corpo não pode contê-la.

Fern e Ambrose se conhecem desde crianças por causa de Bailey, que também é amigo do lutador. É o seu pai que treina os garotos e, apesar de não poder ir para o ringue, sempre está por perto para ajudar com estatísticas e sugestões. Ambrose tem tudo para ser um grande lutador, Hércules da mitologia como Bailey gosta de falar, mas está cansado de tantas expectativas sobre ele e desiste da bolsa para universidade. Ainda abalado com os acontecimentos de 11 de setembro, decide que vai se alistar para o exército e convence seus amigos a irem junto.

É aí, na verdade, que o livro começa. Os cinco jovens vão para a guerra, mas apenas Ambrose retorna. Retorna com a culpa, com o rosto desfigurado e sem vontade de viver. Já Fern agora é uma mulher bonita, inteligente e bondosa, ainda apaixonada pelo soldado. Antes de ir para o Iraque, Ambrose já estava interessado na Fern (ainda bem, senão ia odiar o livro), e depois do seu tempo de luto deixa ela se aproximar para aprender a amar em meio a dor.

A obra é contada em terceira pessoa, alternando algumas passagens do passado com o presente. Eu senti falta de saber mais dos sentimentos dos protagonistas, algo que seria melhor explorado se o livro fosse narrado em primeira pessoa pelos dois. Quando o Ambrose volta da guerra, destruído por dentro e por fora, a autora foca muito no problema físico dele, sem abordar bem os seus traumas psicológicos.

Ao tentar dar bastante visibilidade aos personagens secundários, alguns fatos importantes também não foram tão bem explorados como deveriam. Eu adoro quando a história não foca apenas no casal, mas, nesse caso, temos uma lista muito grande de amigos e familiares que ganham destaque.

Mas é uma história linda, vale a pena a leitura! Como diz a sinopse do livro, é sobre perdas, perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. ❤

Trilha sonora para embalar a leitura

I Won’t Give Up (Jason Mraz)

I don’t wanna be someone who walks away so easily
I’m here to stay and make the difference that I can make
Our differences they do a lot to teach us how to use
The tools and gifts we’ve got yeah we got a lot at stake

E se virasse filme

Adoraria ver esses personagens se virasse filme o livro.

e-se-virasse-filme

NOTA: 4,5

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* Notas de 1 a 5.